quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A medida das coisas...


É preciso aprender a dar a medida certa às coisas.
Sem exageros. 
Sem menosprezo.
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Mais um carnaval. Mas um carnaval diferente. Acontecimentos ruins precederam a festa. Ausências ainda não explicadas. Desencontros. Palavras ácidas corroendo momentos até então alegres. Outras, não ditas, ainda pairando no ar. Os sorrisos ainda vinham, porém mais tímidos. Todos queriam "descansar", especialmente o meu joelho.

"Descansar de que?" eu me pergunto. "Neste Carnaval eu vou fugir!" Da vida? "Quero ir pra longe!" Longe de que? "Carnaval é festa!" O que estamos comemorando, exatamente? Perguntas que não fizemos, perguntas que não faremos.
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Algumas pessoas preferem descobrir a medida das coisas. Quanto custa? Quanto está pesando? A que horas deve chegar? Quanto consegue levantar na academia? O quanto ela o ama? O quanto ele está interessado? Quantas vezes se chegou ao orgasmo? Centímetros ou polegadas?

Assimilamos o mundo através da comparação. Noções de igual e diferente, melhor e pior, azedo e doce... Estabelecemos extremos e a partir daí seguimos em frente, tentando identificar níveis intermediários.

Podemos ver isso bem nas crianças. E ficamos felizes quando elas começam a crescer, a perceber que o mundo não é apenas preto e branco, que há tons de cinza, e que mesmo o branco, para os esquimós, pode apresentar uma variedade que assusta qualquer vivente dos trópicos.

A coisa torna-se tão somente uma questão de percepção.
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A essência do carnaval está no erro, no controverso, no improvável. É a alegria sem razão! É olhar em volta  e se contagiar com a alegria! Ver pais e filhos fantasiados juntos (deu saudades do bloco nas Laranjeiras), Wallies querendo ser achados, a provocação com a política...


Mas se começamos a tecer padrões, é impossível não tecer comparações. "Ano passado foi melhor", "Beijei mais bocas neste ano", "Bebi além da conta desta vez", "Fui em mais blocos que o ano passado"... e temos um carnaval à metro.
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E poucos se dão conta (não deixa de ser uma expressão irônica) do quanto é perigoso deixarmo-nos levar pela medida que as coisas "têm".

Deixamos de criar, para apenas descobrir. Sempre estamos no limite, ao invés de romper fronteiras. Os passos nunca foram nossos - o caminho é sempre dos outros. Use filtro solar.

A adaptação deixou de ser risco; virou comodidade.

Querem que sejamos autênticos, mas temos que ir de terno para as reuniões com gerentes e clientes. Uma mulher não pode se permitir prazer com sexo sem amor, e não ser taxada de vadia. Insistem para sermos felizes, mas nos criticam se desistimos do emprego.


A justificativa tem que valer apenas para nós mesmos, e mais ninguém. Não podemos viver pelas expectativas alheias, se o preço pra isso é abandonar as nossas próprias.

A medida tem que ser nossa.

Até Breve!

domingo, 29 de janeiro de 2012

PIPA, SOPA, ACTA e suas consequências vindouras...

Debater direitos autorais é uma coisa complicada. 

As leis PIPA ('Protect IP Act', Ato para Proteção da Propriedade Intelectual), SOPA ('Stop Online Piracy Act', Pare com a Pirataria On-line, em tradução livre) e ACTA ('Anti-Counterfeiting Trade Agreement',  Acordo Comercial Antifalsificação), em princípio, buscam proteger os direitos autorais.

Como estabelecer um valor de uma ideia? Como quantificar monetariamente o trabalho de alguém? Como fazer que a pessoa tenha garantido o retorno do seu esforço, do seu trabalho, da sua criatividade?

Como questionar os intermediários (neste caso, gravadoras, produtoras, editoras), em um negócio que pode envolver milhões de dólares gastos em produção, divulgação e distribuição?

Que mecanismos podem ser elaborados para adaptar o mundo virtual ao funcionamento do mundo físico dos negócios?

Questões importantes, sem dúvidas! Mas sem necessariamente fugir deste debate, proponho a nos atentarmos para outro aspecto.
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Quando pensamos na história da humanidade, especificamente nos instrumentos para seu resgate (documentos, registros, descrições, livros), não podemos deixar de atentar que o que temos são apenas os registros dos vencedores. Nunca saberemos a perspectiva dos derrotados.

Por mais que sejamos capazes de uma análise crítica, faltam-nos elementos para tomar conhecimento das razões, motivos, sentimentos e pensamentos daqueles que efetivamente foram relegados ao esquecimento.

Ou seja, por mais que nos esforcemos, não podemos evitar o pensamento de que, dentro de determinados aspectos, nossas sociedades simplesmente são incapazes de fugir de doutrinamentos, de ideologias específicas.

Assim, apesar de reconhecê-lo como um conceito inexistente no passado da sociedade ocidental, e mesmo ausente em muitas regiões do mundo de hoje, o direito à liberdade de expressão é algo que tem sido continuamente negado na história da humanidade!
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Em vinte dos meus trinta anos, pude acompanhar com meus próprios olhos a transformação deste mundo da comunicação. Talvez seja difícil de acreditar, mas não muito tempo atrás, uma linha telefônica era uma propriedade, um bem, e podia custar o mesmo que um carro usado.

Cartas eram, então, o único meio acessível para que as pessoas pudessem se falar. Quem não se emocionou com "Central do Brasil" e Fernanda Montenegro? Todo o argumento do filme passava pela importância que uma simples carta tinha na vida das pessoas.

E lá estavam a internet, os e-mails e os fóruns. Mesmo o ICQ já era algo da "nova geração". Depois, a popularização dos celulares.

Ainda hoje, infelizmente, muita gente não tem a chance de esbarrar com um texto como este. Mas o caminho está traçado. É inevitável!! O acesso à internet está aumentando a cada dia, deixando de ser um privilégio.
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Não sou um otimista neste caso. Apesar da SOPA e da PIPA terem sido temporariamente barradas no congresso estadunidense, o ACTA tem sido assinado por diversos países.


Numa olhada superficial, é perceptível o incômodo de grande parte das pessoas na minha timeline especificamente devido à ameaça - real - de perderem o acesso aos filmes, séries e músicas, tão disseminadas por aí.

Não podemos negar que uma verdadeira indústria foi criada em cima do compartilhamento de arquivos.  Somos convidados a pagar pela velocidade com que baixamos os arquivos, ou para uma doação, em troca do tempo que economizamos (e alguém gasta) para organizar tudo em ordem cronológica, por título, com opções e legendas já sincronizadas. 

Em parte, é isso que as leis buscam combater: a exploração por terceiros de suas obras. Vejam bem, isso é apenas uma constatação!

Logo, o esforço que temos feito é nos separar destes que buscam lucros, e tentar compreender o direito autoral - e sua exploração - sob outra ótica, onde não seja errado compartilharmos quaisquer arquivos que quisermos, uma vez que tenhamos acesso a ele.

Infelizmente, não é apenas isso que está em jogo. É preciso resgatar o contexto em que estamos.
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Vocês assistem os telejornais na televisão aberta? Lêem os jornais e revistas impressos? Usam a internet com frequência? Então provavelmente já repararam que o jornalismo, como o conhecíamos, está definhando.

Discorda? 

Não há assunto que chegue a estas mídias que já não tenha sido virado do avesso dentro do twitter. Não há pauta que não viralize no facebook. Mesmo as editorias policiais e econômicas, não tão atrativas para as redes sociais, ganham espaço, desde que o impacto do fato possa "provocar" o público da internet.

Em fevereiro do ano passado, estas mesmas redes sociais, associadas aos smartphones, auxiliaram todo um movimento de derrubada de um ditador de décadas no Egito.

manifestação no Egito contra o governo - fevereiro/2011

De forma análoga, foi o hábito da troca de mensagens e aparelhos acessíveis a jovens e adolescentes que reforçou a revolta na Inglaterra em agosto de 2011.

Não dá pra pensar no movimento "Ocuppy" separando-o da internet, se não em sua concepção e construção, em sua divulgação e apoio. Foram mais de três semanas sem qualquer divulgação pela mídia "oficial", até o ponto em que foi impossível ignorar o que estava acontecendo.

No primeiro caso, o governo simplesmente derrubou o serviço, tentando conter a possibilidade de comunicação entre as pessoas.

Na Inglaterra, dados pessoais dos usuários foram requisitados com o objetivo de identificar pessoas para que essas pudessem ser processadas e punidas.

revolta em Londres, agosto/2011

No terceiro, não houve um ataque explícito à internet, até onde soube, mas diversas leis, das mais obscuras, foram utilizadas com o objetivo de conter a liberdade de expressão.
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Não podemos negar que os meios de comunicação deixaram de significar uma via de mão única. Não somos apenas meros receptores - literalmente! - neste processo. O movimento agora é "full duplex" e de uma forma tão dinâmica que é impossível ignorar o que vem da internet.

Recentemente, a rede Globo teve que responder às manifestações da internet, por mais que não fosse do seu interesse fazer isso. Desde incluir notas sobre os Jogos Panamericanos nos seus jornais esportivos, passando pela inclusão de pautas (ainda que de modo atravessado) como a das respostas ao livro "Privataria Tucana" e, mais recentemente, a própria polêmica dentro do big brother.

Se puritanos afirmam que o bom uso da internet, crítico e responsável, ainda está longe de acontecer, podemos ao menos afirmar que, aos poucos, estamos deixando de ser reféns das pautas editoriais de poucos.
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Uma vez que o povo começa a retomar efetivamente pra si o poder de sua voz, exigindo cada vez mais do que a representatividade através do voto garante, é de se esperar que o Estado (em quaisquer países) busque mecanismos de manipulação, controle, contenção e punição.

É impor à internet, um dos espaços mais democráticos existentes atualmente, regras que mantêm ideologias e doutrinas no mundo real, às vezes mais rígidas do que suas contrapartes no "mundo real".

Institucionalmente falando, quando pensamos no poder de polícia, supomos uma prática de prevenção de crimes, ou atuação para  garantia da punição de crimes cometidos? 

Se entendemos que seu papel é de prevenção, quais seriam as formas legais e institucionais de atuação para isso? Dentro deste contexto, como pensar a proposta do FBI aqui? Como fica o direito à privacidade?
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Parece que estou misturando tudo, não? O que tem a ver leis autorais, liberdade de expressão, prevenção de crimes, investigação e punição de crimes e liberdade, tanto no mundo real quanto na internet, não é mesmo?

Precisamos entender que estas propostas de leis autorais só enxergam o direito - no caso, à propriedade - em uma direção. Elas dão brechas para que nosso direito à liberdade seja cerceado e nosso direito à privacidade seja invalidado.
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Até Breve!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Filmes para 2012: Janeiro


Ano começando, anúncios para o Oscar ainda a serem feitos, acabo me perdendo quanto aos filmes que serão lançados e quais assistir. Por isso, resolvi fazer uma compilação do que está previsto para 2012. 

Os lançamentos seguem as datas no mercado brasileiro, divulgadas no Cinema em Cena. Como as distribuidoras gostam de bagunçar, estão sujeitas a alterações.
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Cavalo de Guerra (War Horse), 06.01
Spielberg. Primeira Guerra Mundial. É só somar: candidato a Oscar.

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Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows), 13.01
Robert Downey Jr. na segunda franquia que o ressuscitou, retornando a um dos personagens mais interessantes que já existiu. E com Jude Law.

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Man on a Ledge (Man on a Ledge), 13.01
Sério que não traduziram o título? Fiquei curioso pela história em si. É só não esperar muito da interpretação, nem de reviravoltas surpreendentes. Apenas uma boa diversão.

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O Abrigo (Take Shelter), 13.01
É o tipo de drama/thriller que me deixa tenso pra assistir. Concorre ao prêmio de melhor filme, direção, ator, atriz coadjuvante e produtores emergentes no Independent Spirit Awards.

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A Hora da Escuridão (The Darkest Hour), 13.01
Um filme aparentemente original sobre invasão alienígena? Tô dentro!

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As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin), 20.1
Steven Spielberg dirigindo. Um personagem icônico das histórias em quadrinhos. Uma animação genial! Será que poderemos contar com versões legendadas?

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Precisamos falar sobre o Kevin (We need to talk about Kevin), 27.01
Ainda me lembro da Tilda Swinton em "Constantine". Ah, recomendo a leitura antes do filme! Só pra constar!

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Os Descendentes (The Descendants), 27.01
George Clooney na "melhor atuação de sua carreira? Assisto se entrar na lista do Oscar. Caso contrário, espero um fim de semana chuvoso em agosto pra baixar...

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Millenium - Os homens que não amavam as mulheres (The girl with the Dragon Tattoo), 27.01
Não li o livro, e não vi a versão sueca. Será que devo ir nos "originais" antes de encarar a versão americana? E que raios de título nacional é este??

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J. Edgar (J. Edgar), 27.01
Clint Eastwood na direção. Leonardo DiCaprio no papel principal. Baseado em fatos reais. Um personagem da história americana recente. Polêmicas. Como não ver?

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Faltou algum? Avisa que incluo no post.
Até Breve!!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Retrospectivas e Expectativas, uma introdução...

Pra que serve a recordação?? 

O frio estava mais intenso por causa da garoa. Tive que passar a mão no meu rosto para aliviar a umidade, e lá estava eu, mais uma vez receoso quanto à chuva, e o vento da praia só piorava a situação. Mas tudo bem. Sete (sete?) anos, e o mesmo lugar. Mas muita coisa diferente. As razões. As pessoas. As vontades. Os desdobramentos!
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São muitos os que sofrem nessa época de festas, seja por conta de momentos que não mais retornam, seja pelas palavras e atitudes que não deveriam ter acontecido. Sorrisos perdidos, a alegria inconteste da inocência já distante, o gosto do beijo e o abraço apertado que não podem ser sentidos uma vez mais.

Mas há também a dor pelo tropeço, pela fuga, pela falta, pela perfídia... e o rancor e o desprezo que advêm disso tudo. E não apenas aquela causada por outros, como é costume pensarmos, mas principalmente a que cometemos a nós mesmos! 
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Havia espaço para dança. E para os encontros. Era bom poder ver o sorriso à nossa volta, uma alegria que nada tinha a ver com esperança no futuro, mas tão somente uma ode à vida e às possibilidades que se abriam ali. Era mais do que ter um sonho. Era viver um sonho!

Como caminhos trilhados levam para estradas distintas? Deu vontade de reviver aquilo tudo que era no início. Mas o tempo não volta. E o pensamento inevitável de como a vida é um reflexo real daquilo que construímos para nós mesmos.
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Tantos "e se...", e a certeza de que muito estaria melhor se tivéssemos feito diferente. E as promessas, de sermos mais sábios, mas presentes, mais amáveis, mais sinceros. Talvez devêssemos prometer, a nós mesmos, menos auto-hipocrisia.

Se nos afetamos, é porque permitimos. E se permitimos, é porque, em algum momento, queríamos aquilo que estava ali, naquele lugar, naquele momento, naquela circunstância. E só depois - sempre depois - olhamos para as consequências.
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As recordações são mais que uma foto estática, um recorte no tempo daquilo que vimos, vivemos e sentimos. Elas trazem verdades sobre quem escolhemos ser naquele momento, e permitem vislumbramos quem estamos nos tornando.


Triste perceber que poucos se dão conta do valor em se fazer um resgate legítimo disso tudo que são as nossas escolhas e daqueles ao nosso redor.

Poucos são aqueles que buscam na recordação mais que um vislumbre daquilo que uma vez sentiram. Ou pior, quando a utilizam para tentar justificar sua própria mediocridade, travestida de outra coisa.

E ela acaba por se tornar uma imagem recolhida em um canto obscuro, por onde passamos apenas quando convém, onde a poeira a encobre e turva suas verdades possíveis.

As recordações são potência! Dão sentido! Devolvem-nos a capacidade de zelar pelo nosso próprio destino. Por isso mesmo, é preciso fazer outro movimento, dar espaço para que elas possam iluminar as nossas expectativas.
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Até Breve!
E Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O problema não é 'a' corrupção!

De manhã cedo tive um vislumbre de algo que queria escrever sobre corrupção. O tema tem estado forte na mídia ultimamente, e tem me incomodado. Mas me perdi em outros pensamentos, preocupado com a hora de sair para o trabalho. Aí, descubro que não tenho que viajar mais hoje...
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Na última vez em que pude sentar com os amigos onde alguns deles teriam a oportunidade de ficarem bêbados, o tema ganhou espaço. Estávamos debatendo o contexto econômico global (nem todos, é verdade; alguns se manifestaram mais efusivamente na discussão sobre correlação inversamente proporcional entre tamanho de carros e órgãos sexuais masculinos) e quando adentramos o contexto brasileiro, foi inevitável trazer a corrupção à tona.

É difícil imaginar uma discussão sobre corrupção levantar algo de novo. Mais do mesmo. Conversa de bar. Mas se posso afirmar um orgulho que tenho do meu grupo de amigos, é a capacidade que temos de não ficarmos apenas no lugar comum.
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Quando penso no significado de 'corromper', não consigo afastar a ideia de alguém que é tirado de seu caminho próprio, que se perde de si mesmo, mas através de um outro. Ou seja, necessariamente demanda a a presença de dois atores. "Quem corrompe a si mesmo?", poderíamos perguntar.

Assim, a lógica recai sobre os objetivos do ato de corromper. 
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Talvez egocentricamente (com três representantes do funcionalismo público à mesa - ainda que um 'indireto', por assim dizer) nos voltamos para a eficiência do Estado enquanto instituição. E aí a coisa começou a ficar interessante.

Ora, até para não ficarmos desconfortáveis com nossas identidades profissionais era preciso, ao menos, justificarmos aquilo no qual trabalhamos. Ou não. Dada a nossa insatisfação, poderíamos nos isentar do espaço, compreender que de fato e de direito não fazemos parte daquilo, e que o problema não é nosso.

Mas não fizemos isso.

Compreendemos de maneira muito clara e sincera que estamos neste contexto, que em menor ou maior grau eventualmente incentivamos a corrupção, e que é quase algo cultural dentro da sociedade brasileira.

Opa! Na generalização, nos colocamos fora do problema mais uma vez, externalizamos o fardo, nos encontramos como vítimas de todo um processo histórico e social.

É, não estávamos sendo consistentes. Estávamos bebendo.
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A corrupção tem sido vista como um algo palpável. Virou objeto concreto, cheio de verdade em si mesma. Ou qualidade. Alguém é ou não corrupto. E isto é um problema.

O olhar fica desviado. Somos levados a procurar a corrupção, ou apontar o corrupto. É a eterna busca pela maçã podre. Assim, supomos que basta promover uma limpeza e, em seguida, implementar um filtro, e o problema deixa de existir. 

Equívoco.
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Àquela altura, já não tínhamos mais certeza de nada. Alguns continuavam engajados no tema, enquanto que outros tinham se dado conta que o debate tratava-se apenas de uma conversa, um meio de nos olharmos uns aos outros e matarmos as saudades, pois mesmo que algo nos iluminasse.. bem, quem somos nós para mudar alguma coisa?

Mas algo ficou. A tomada de consciência em si teve uma relevância, ainda que obscura.
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Ontem a Lei da Ficha Limpa estava sendo discutida. Houve um pedido de vista, o que significa que a definição do seu valor fica para outro momento. Uma lei que deveria nos proteger de homens e mulheres corruptos em essência, inadmissíveis no papel de nos representar, de definir os caminhos para as relações sociais, econômicas,  políticas, pessoais, institucionais e onde mais a lei seja necessária. 

Enquanto isso, a cada final de semana temos um novo caso de corrupção divulgado pela imprensa de direita onde, independente da verdade, não há espaço para o contraditório.

Por outro lado, a imprensa de esquerda tem proferido o denuncismo como prática desestabilizadora, sem problematizar a fragilidade com que seus representantes são apontados.
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Cabe dizer que qualquer denúncia com fatos comprovados merece atenção. Fora isso, não passa de calúnia. Mas como disse antes, este  é o foco que desejam.

Não há nada de errado em trazer à tona crimes cometidos. Não há nada de errado em, através de uma lei, "separar o joio do trigo."

Mas é preciso pensar, fundamentalmente, em combater o ato de corromper. Não vejo qualquer discussão indo nesta direção. 

Porque punir o corrompido não resolve. Ele é apenas uma parte da equação. De forma análoga, ir ao outro extremo também é importante, mas insuficiente.

O contexto para 'o corrromper' emergir não se altera. Não conheço, historicamente, nenhuma condição onde o ajuste moral tenha sido solução permanente, onde os 'homens bons' tenham sido capazes de, através da exclusão (prisões, mortes, condenações), tornar o mundo melhor. 

Homens vão, a cultura permanece.

Neste sentido, a tomada de consciência pela população é essencial! E esta só pode ocorrer através de um sentimento real de perda, de dano, inerentes à perversão do ato, mas que não nos implica diretamente.

E por mais tolo que pareça, somente com a clareza do quanto investimos no Estado, através dos impostos, é que podemos entrar neste movimento.


Até Breve!

sábado, 24 de setembro de 2011

Uma pequena mudança...

É. Não resisti. 

Depois de tantos anos usando um mesmo template, resolvi 'inovar'. Formato básico, mas com um apelo visual totalmente diferente. Talvez ainda não esteja como eu quero. Mas o bom é que agora já consigo mexer mais facilmente.

Tem horas que a gente precisa aprender na marra.

Até Breve!

domingo, 18 de setembro de 2011

IPhone vs Android: por trás do campo de batalha - Parte II

"Não é o que você pensa, e sim o que você faz, que define quem você é."

-  por Christopher Nolan e David S. Goyer, através de Bruce Wayne/Batman em 'Batman Begins' (em tradução livre).
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Quando parei pra escrever sobre um dos maiores dilemas da humanidade atualmente, óbvio que fui motivado pelas minhas próprias 'necessidades'. O mundo mudou. E rápido!

Ainda me lembro de uma época quando as pessoas podiam andar nas ruas sem preocupação, pensando na vida e interagindo com o mundo. Olhavam pelas janelas dos ônibus e sabiam dos problemas no seu bairro, na sua vizinhança. Viam o trânsito, compartilhavam a insatisfação dos outros... enfim.

Hoje, este mundo é muito pequeno, imposto, contingente, indigno da nossa atenção e do nosso tempo. Preferimos olhar o mundo pela nossa própria janela, personalizada, com os gadgets que escolhemos, as pessoas que escolhemos, a trilha sonora que faz sentido pra nós.

Compartilhar o mundo físico é uma necessidade desagradável, quando temos o que queremos ao alcance das mãos.
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O que está em disputa pelas empresas não é apenas um aparelho, uma tecnologia determinada, mas o modo, a interface que vai romper as barreiras do mundo que queremos (ou achamos que queremos, mas isso já é outra história) e aquele onde somos obrigados a existir. Viu? Não é pouca coisa!!

Por isso, pensar o marketing de um determinado aparelho exaltando sua superioridade técnica seria coisa de amador. Não! 



O que está em jogo é como usamos o aparelho, para que usamos, como ele 'entra' no nosso mundo, torna sua experimentação mais rica, mais alegre, mais... completa. Colocar isso como uma frase no final não conserta o que foi feito.
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Dilema posto, não é de se espantar o quanto a apple conseguiu através dos seus produtos. Ela foi a única que, durante um bom tempo, ofereceu às pessoas exatamente isso, a capacidade de podermos customizar a nossa interação com o mundo.

Para além da tecnologia, havia aplicativos com serviços em tal quantidade que torna humanamente impossível experimentarmos todos. É a liberdade total, literalmente, dentro do bolso.

Neste sentido, a ideia por trás do Android é exatamente esta, representar a liberdade, só que de uma forma mais conceitual. Infelizmente, para eles, conceitos muitas vezes não fazem parte da experiência de vida das pessoas. Se assim fosse, hoje não teríamos mais o windows e o linux estaria em todas as casas, em todo o mundo.

Seria preciso, então, uma outra estratégia, para nos convencer de que os seus produtos são os melhores para nós. E as empresas não estão paradas.

Logo depois que escrevi o texto anterior, veio o anúncio de que a Google tinha comprado a Motorola, e que entraria mais agressivamente no mercado de smartphones. De outro lado, temos a Apple e a Samsung numa guerra já declarada por patentes (aqui e aqui, por exemplo).

Se fosse trazer pra cá todos os links relacionados a este mercado, me perderia em referências. Mas basta dizer que 'falhas' (se me permitem o eufemismo) ocorrem na forma como estas empresas têm conduzido a batalha: denúncias de práticas ilegais e criminosas na produção dos aparelhos; as já citadas disputas por patentes; imposições ao consumidor, como a falta de atualizações de software, que tanto poderiam melhorar a experiência dos usuários (né, Motorola?)... e isso pra começar.
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Os vencedores e os perdedores não serão conhecidos tão cedo, mas não deixa de ser interessante observar como as coisas se desenrolam. Estratégias (de marketing), fusões, alianças, corrida tecnológica, domínio geográfico, espionagem, traições... não há termo melhor do que 'guerra' pra tudo isso.

E como consequência, é quase inevitável tomarmos uma posição, escolhermos um lado. E é isso que me causa preocupação: sermos impregnados pelo sentimento de disputa destas empresas.

Assim que fazemos uma escolha, precisamos defendê-la com todo afinco possível. Seja através de argumentos altamente racionais, seja por uma paixão avassaladora.

Não. Não imagino amigos se engalfinhando para definir quem é o melhor: o galaxy ou o iphone. Mas por outro lado, esta disputa cria abismos, limita exatamente aquilo que buscamos no início, a liberdade de criarmos e configurarmos o nosso mundo pessoal do jeito que queremos.

Quando pensamos as operadoras (as grandes aliadas dos fabricantes de aparelhos), isto se torna mais palpável, mais concreto.
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Descobri que não tenho mais como trocar a capa do meu velho de guerra. A escolha por um novo aparelho é inevitável. Provavelmente buscarei algo intermediário, pelo menos por enquanto.

Como farei a escolha? Simples. 
Buscando bastante clareza entre o que quero e o que preciso.

Até Breve!